Os Atos dos Apóstolos, segundo livro do Novo Testamento e sequência direta do Evangelho de Lucas, compõem o segundo volume da chamada "obra dupla lucana". Escrito em grego koiné por um autor anônimo — tradicionalmente identificado como Lucas, o médico e companheiro de Paulo, embora a exegese histórico-crítica contemporânea questione essa autoria —, o texto narra as origens e a expansão da Igreja primitiva, desde a ascensão de Jesus até a chegada de Paulo a Roma. Datado majoritariamente entre 80 e 90 d.C., o livro reflete o cenário pós-70 d.C., marcado pela destruição do Templo e pela consolidação do cristianismo entre os gentios, sem mencionar as perseguições de Domiciano ou a coleção das cartas paulinas.
A narrativa organiza-se em uma progressão geográfica: inicia em Jerusalém com o derramamento do Espírito Santo no Pentecostes (Atos 2. 1-13), descrevendo a formação da comunidade e os primeiros embates; prossegue com a missão em Samaria e a conversão de Paulo (Atos 9. 1-19); e culmina nas viagens missionárias paulinas, no Concílio de Jerusalém (Atos 15. 1-35) — que desobrigou os gentios da circuncisão — e na prisão de Paulo até sua transferência para Roma (Atos 21. 1—28. 31). O texto enfatiza a ação do Espírito Santo, os milagres como sinais do Reino e a harmonia entre judeus e gentios, apresentando os apóstolos, especialmente Pedro e Paulo, como as testemunhas centrais da ressurreição.
No plano teológico, Atos interpreta o crescimento do cristianismo como o cumprimento das promessas divinas, destacando a universalidade da salvação e a postura inofensiva da nova fé perante o Império Romano. O livro apresenta divergências pontuais em relação às epístolas paulinas autênticas, como no relato das decisões do Concílio, o que sugere uma certa idealização histórica. Embora sua precisão geográfica e administrativa seja reconhecida, persistem debates sobre a fidedignidade de certos discursos e episódios das viagens de Paulo, muitas vezes analisados como parte do material próprio lucano.
Na pesquisa atual, prevalece a visão de Atos como uma obra teológica mais do que estritamente historiográfica, voltada à legitimação da Igreja gentílica e à reconciliação entre as tradições petrina e paulina. Sua influência permanece viva na eclesiologia e na pneumatologia, fundamentando a compreensão da missão cristã como uma jornada guiada pelo Espírito.
O autor é Lucas, que escreveu o evangelho de Lucas. Fatos a seu respeito podem ser encontrados no capítulo vinte e sete. Ele escreveu este livro por volta de 63 ou 64 d.C.
Foi dirigido a um indivíduo como uma espécie de continuação da tese anterior e tem como objetivo narrar o crescimento e o desenvolvimento do movimento inaugurado por Jesus, tal como foi realizado pelos apóstolos após a ressurreição e ascensão de Jesus. É amplamente abordada na história da obra cristã entre os gentios e apenas fornece o suficiente da história da igreja de Jerusalém para autenticar a obra entre os gentios. O principal objetivo, portanto, parece ser o de relatar a expansão do cristianismo entre os gentios. Essa visão é reforçada ainda mais pelo fato de que o próprio Lucas era um gentio e que era companheiro de Paulo (Colossenses 4), e da seção “nós” de Atos. O livro não afirma, portanto, ser um relato completo dos trabalhos dos primeiros apóstolos. Mas, de uma maneira simples, definitiva e impressionante, conta como a religião de Jesus foi propagada após sua morte e como foi recebida por aqueles a quem foi pregada pela primeira vez.
No “Deus do Antigo Testamento”, o Pai era o agente ativo. Nos evangelhos, Deus, o Filho (Jesus), foi o agente ativo. Em Atos (e para sempre), Deus, o Espírito Santo, é o agente ativo. Ele é mencionado cerca de setenta vezes em Atos. O Salvador havia dito aos apóstolos que esperassem em Jerusalém pelo poder do Espírito Santo. Até serem dotados de Seu poder, eram homens muito comuns. Posteriormente, eram puros em seus propósitos e ideais e sempre triunfavam em sua causa. O livro é um registro do grande poder espiritual visto em ação em todos os lugares.
(J. B. Tidwell)