O Livro de Naum é o sétimo dos Doze Profetas Menores na Bíblia hebraica e constitui, em seus três capítulos, uma das mais elaboradas composições poéticas do Antigo Testamento. O profeta é apresentado como Naum de Elcos, cidade cuja localização os estudiosos ainda debatem, com propostas que vão desde a moderna Alqush, na Assíria, até Cafarnaum, na Galileia setentrional. Seu nome hebraico significa "consolação", e essa etimologia não é irrelevante: o livro, embora seja fundamentalmente um oráculo de destruição, é ao mesmo tempo uma palavra de alívio para aqueles que haviam sofrido sob a brutalidade do domínio assírio. Sobre a vida pessoal de Naum nada mais se sabe além do que o próprio texto revela, e mesmo ali os dados biográficos são mínimos. O que o livro preserva com extraordinária vivacidade é a força de uma visão profética que anuncia o fim de um império.
O tema central do livro é a destruição iminente de Nínive, capital do Império Neoassírio, uma das maiores e mais imponentes cidades do mundo antigo. Suas muralhas tinham quilômetros de extensão, seus palácios eram monumentais, sua biblioteca — a de Assurbanipal — reunia dezenas de milhares de tabuletas de argila, e o alcance militar do império havia aterrorizado o Oriente Próximo por gerações. Era Nínive que havia arrasado Tebas, no Egito, em 663 antes de Cristo, e foram os assírios os responsáveis pela deportação das dez tribos do reino do Norte de Israel, em 722. A mensagem de Naum insere-se nesse pano de fundo histórico de opressão sistemática e anuncia com precisão desconcertante o fim do poder que parecia inabalável. A queda de Nínive ocorreu em 612 antes de Cristo, quando Nabopolassar de Babilônia e Ciaxares dos Medos puseram cerco à cidade e a destruíram. O debate sobre a datação do livro — se anterior ou contemporâneo à queda, se do século VII ou mesmo do período macabeu — permanece em aberto, mas a maioria dos estudiosos situa o núcleo do texto nos anos imediatamente anteriores a 612, tendo como ponto de referência a tomada de Tebas como evento já ocorrido.
O livro abre-se com uma espécie de salmo alfabético que apresenta o caráter de Deus: ciumento e vingador, mas também lento para a ira e grande em poder. Essa tensão entre a paciência divina e a inexorabilidade do seu julgamento sobre os culpados estrutura a teologia do livro. Deus não é apresentado como um poder caprichoso, mas como um Senhor que age com justiça: é refúgio nos dias de angústia para quem nele confia, e força destruidora para quem se opõe à sua soberania. O paralelo implícito com o Livro de Jonas é significativo: onde Jonas apresentava Deus disposto a perdoar Nínive mediante a conversão, Naum constata que a conversão não foi duradoura e que o juízo finalmente se cumpre. Os dois livros não se contradizem, mas se complementam, revelando a dupla face da soberania divina sobre as nações.
Os capítulos dois e três descrevem a queda de Nínive com um realismo poético de rara intensidade. O profeta usa similes e metáforas de grande força visual: os soldados que defendem a cidade são como leoas que não encontram mais seus filhotes; Nínive é comparada a uma piscina cujas águas se esvaziam; os seus habitantes fogem sem que ninguém os faça parar. Com ironia sutil, Naum chega a ladrar ordens de batalha aos defensores da cidade condenada, tornando-se um participante dramático da cena que descreve. O terceiro capítulo encerra com uma elegia fúnebre sobre a queda do grande poder: "Não há cura para o teu ferimento, a tua chaga é mortal; todos os que ouvirem falar de ti baterão palmas, pois sobre quem não pesou a tua maldade contínua?" A crueldade assíria, descrita como prostituição e feitiçaria que escravizava as nações, recebe aqui uma sentença sem apelação.
Na tradição cristã, o Livro de Naum é lido como testemunho da justiça de Deus que age na história, garantindo que nenhuma estrutura de opressão é definitiva. O Livro de Tobias, no cânon deuterocanônico, menciona explicitamente a profecia de Naum como palavra confiável sobre o destino de Nínive. Para a Igreja, o livro recorda que o Deus de Israel é Senhor de todas as nações, que julga não apenas o seu povo mas todos os poderes que exercem violência sobre os fracos, e que a história, por mais opaca que pareça, caminha segundo uma lógica de justiça que os profetas foram chamados a anunciar com clareza e coragem.