A Primeira Epístola de João integra o conjunto da literatura joanina do Novo Testamento e é tradicionalmente atribuída a João, o Evangelista. Escrita em grego koiné, a epístola não apresenta saudação inicial nem conclusão formal, distinguindo-se do formato epistolar clássico e aproximando-se de um tratado pastoral. Sua redação é geralmente situada entre o final do século I e o início do século II, possivelmente na região de Éfeso. O texto é amplamente atestado por manuscritos antigos, como os códices Vaticano, Sinaítico e Alexandrino, o que confirma sua ampla circulação e recepção precoce na Igreja.
A autoria joanina, embora sustentada pela tradição e pela forte afinidade temática com o Evangelho de João e as demais epístolas, é debatida pela crítica moderna. Muitos estudiosos entendem que a carta foi produzida por um membro proeminente da chamada comunidade joanina, partilhando o mesmo vocabulário teológico, estilo reflexivo e estrutura circular de pensamento. A epístola demonstra especial preocupação com conflitos internos da comunidade, sugerindo um contexto de cisão motivada por divergências cristológicas e éticas.
Do ponto de vista teológico, a Primeira Epístola de João enfatiza a comunhão com Deus, expressa por meio da fé correta, da obediência e do amor fraterno. Um tema central é a defesa da encarnação real de Jesus Cristo, em oposição a tendências docéticas que negavam sua verdadeira humanidade. A carta apresenta critérios para discernir a autenticidade da fé cristã — a confissão correta de Cristo, a prática da justiça e o amor aos irmãos — e reafirma que a vida eterna se manifesta na permanência na verdade recebida desde o princípio.