O Livro de Ageu pertence ao conjunto dos Doze Profetas Menores no Tanakh e no Antigo Testamento cristão, e distingue-se de todos os demais livros proféticos por uma característica raríssima na literatura bíblica: cada um dos seus quatro oráculos está datado com precisão de dia, mês e ano, todos situados na segunda metade do ano 520 antes de Cristo, durante o reinado de Dario I. O nome do profeta, em hebraico Hagái, significa "o que nasceu no dia de festa", e o livro que leva esse nome é, ao mesmo tempo, um documento histórico de grande valor e uma proclamação teológica de alcance que ultrapassa o seu contexto imediato. Ageu é mencionado também nos Livros de Esdras, como um dos profetas que animaram a reconstrução do Templo, e pertencia provavelmente às comunidades de repatriados que haviam regressado do exílio babilônico.
O tema central do livro é a reconstrução do Templo de Jerusalém após o período do exílio. A situação histórica em que o profeta atua é de extrema dificuldade: Judá atravessava uma crise econômica prolongada, agravada por uma sequência de secas e más colheitas que comprometia a sobrevivência das famílias. A reintegração dos repatriados gerava tensões sociais e disputas de propriedade, e a população encontrava-se absorvida pela urgência de garantir o próprio sustento. Nesse contexto adverso, o Templo permanecia em ruínas desde a destruição babilônica de 587 antes de Cristo, e havia quem argumentasse, com razões tanto práticas quanto teológicas, que o momento não era propício para a sua reconstrução. A alusão às advertências de Jeremias contra a confiança idolátrica no santuário dava argumento aos que preferiam primeiro resolver os problemas sociais. Havia também quem considerasse simplesmente que o sinal divino para retomar as obras ainda não havia chegado.
É nesse impasse que Ageu intervém com a primeira das suas quatro proclamações. O argumento é preciso e inesperado: a crise econômica não é a causa do adiamento da reconstrução do Templo — é a sua consequência. O povo cuida das suas próprias casas e deixa a casa de Deus em ruínas; por isso a chuva não vem, os celeiros não enchem, e o trabalho não rende o esperado. A inversão da lógica corrente é característica do pensamento profético: não é a prosperidade que cria as condições para honrar a Deus, mas a fidelidade a Deus que cria as condições para a prosperidade. Ageu convida os líderes — Zorobabel, governador de Judá e descendente da linhagem davídica, e Jesua, o sumo sacerdote — e o povo a retomar as obras, com a promessa do apoio divino.
A segunda proclamação, pronunciada cerca de um mês após o início das obras, dirige-se aos mais velhos que ainda se lembravam do esplendor do Primeiro Templo e que, diante das dimensões modestas da nova construção, desanimavam. A resposta de Ageu é uma palavra de encorajamento que abre um horizonte messiânico: a glória do novo Templo será maior do que a do antigo, pois o Senhor abalará os céus e a terra e o tesouro de todas as nações afluirá para ele. Na tradição cristã, esse texto foi lido como anúncio da presença de Cristo, que visitaria o Segundo Templo e daria a esse lugar uma glória incomparável com nenhum ouro ou prata.
A terceira proclamação utiliza uma consulta aos sacerdotes sobre questões de pureza ritual para formular uma tese teológica mais ampla: a impureza se transmite com mais facilidade do que a santidade, e por isso a situação do povo, por mais religiosamente bem-intencionada que seja, carece de uma transformação interior que acompanhe o gesto exterior da reconstrução.
O quarto oráculo é dirigido pessoalmente a Zorobabel e tem um conteúdo de projeção escatológica e messiânica: o Senhor abalará os reinos do mundo e escolherá Zorobabel como selo, como sinal de eleição. A referência ao selo inverte deliberadamente o oráculo pronunciado por Jeremias contra Jeconias, avô de Zorobabel, a quem Deus havia dito que mesmo que fosse o anel do seu dedo o arrancaria. Em Ageu, a maldição é revertida: a linhagem davídica não está encerrada, e Zorobabel representa a continuidade da esperança na restauração do reino de Davi — esperança que a tradição cristã lerá como antecipação do Messias, descendente da casa de Davi segundo a carne.