Exortação a não receber a graça em vão.
¹Nós, pois, como cooperadores com Ele, também exortamos vocês a não receberem a graça de Deus em vão. ²Pois Ele diz: “Eu te ouvi no tempo aceitável e, no dia da salvação, te socorri”. Eis agora o tempo aceitável; eis agora o dia da salvação. ³Não damos motivo de tropeço em coisa alguma, para que o ministério não seja censurado; ⁴antes, em tudo nos recomendamos como ministros de Deus: em muita paciência, em aflições, em necessidades, em angústias, ⁵em açoites, em prisões, em tumultos, em trabalhos, em vigílias, em jejuns; ⁶em pureza, em conhecimento, em longanimidade, em bondade, no Espírito Santo, em amor não fingido; ⁷na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, à direita e à esquerda; ⁸por honra e desonra, por má fama e boa fama; como enganadores, e contudo verdadeiros; ⁹como desconhecidos, e contudo bem conhecidos; como morrendo, e eis que vivemos; como castigados, e não mortos; ¹⁰como entristecidos, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, e possuindo tudo.
Um apelo de coração aberto.
¹¹Ó coríntios, a nossa boca se abriu para vocês, o nosso coração se alargou. ¹²Não estão limitados em nós, mas estão limitados nos seus próprios afetos. ¹³Agora, como justa retribuição — falo como a filhos — alarguem também vocês o coração.
Separação para o Deus vivo.
¹⁴Não se ponham em jugo desigual com os incrédulos; pois que comunhão há entre a justiça e a injustiça? Ou que sociedade há entre a luz e as trevas? ¹⁵Que harmonia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o crente com o incrédulo? ¹⁶Que acordo há entre o templo de Deus e os ídolos? Porque vocês são o templo do Deus vivo, como Deus disse: “Habitarei neles e entre eles andarei; Eu serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo”.
A promessa do Pai.
¹⁷“Portanto, saiam do meio deles e separem-se”, diz o Senhor; “não toquem em coisa impura, e Eu os receberei”. ¹⁸“Eu serei Pai para vocês, e vocês serão para Mim filhos e filhas”, diz o Senhor Todo-Poderoso.
O sexto capítulo da Segunda Epístola aos Coríntios (2 Coríntios 6), com 18 versículos, prossegue a reflexão sobre o ministério apostólico, exortando à acolhida da graça e à separação do pecado, enquanto defende a autenticidade do serviço de Paulo em meio a tribulações. Na abertura (v. 1-2), como "cooperadores" de Deus (ou de Cristo), Paulo suplica que os coríntios não recebam em vão a graça divina, citando Is 49:8: "No tempo favorável te ouvi e no dia da salvação te socorri; eis aqui agora o tempo favorável, eis aqui agora o dia da salvação" (v. 2), aplicando-o à presente dispensação como oportunidade urgente de conversão.
Nos versículos 3-10, Paulo apresenta o catálogo das suas aflições apostólicas para comprovar a recomendação do ministério: não dá ocasião de escândalo em coisa alguma (v. 3), mas se aprova como ministros de Deus em paciência, tribulações, necessidades, angústias, açoites, prisões, tumultos, trabalhos, vigílias, jejuns; em pureza, ciência, longanimidade, bondade, Espírito Santo, amor sincero, palavra da verdade e poder de Deus (v. 4-7). Contrasta aparências paradoxais: tratados como enganadores e verídicos, desconhecidos e bem conhecidos, moribundos e eis que vivemos, castigados e não mortos, tristes mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a muitos, nada tendo e tudo possuindo (v. 8-10).
Na parte final (v. 11-18), Paulo apela afetivamente aos coríntios: "A nossa boca está aberta para vós, ó coríntios; o nosso coração está dilatado" (v. 11), pedindo reciprocidade — "dilatai-vos também vós" (v. 13). Exorta à separação dos incrédulos: "Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis" (v. 14), com uma série de antíteses retóricas: que sociedade tem a justiça com a injustiça? Que comunhão a luz com as trevas? Que harmonia Cristo com Belial? Que parte o crente com o incrédulo? Que acordo o templo de Deus com os ídolos? (v. 14-16). Cita uma colagem de promessas do Antigo Testamento (Lv 26:12; Ez 37:27; Is 52:11; Ez 20:34; 2Sm 7:14): "Habitarei e andarei no meio deles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Saí do meio deles e apartai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisa imunda, e eu vos receberei; serei vosso Pai, e vós sereis meus filhos e filhas" (v. 16-18). (Nota: v. 14-7:1 é considerado por alguns estudiosos uma interpolação devido a rupturas estilísticas e temáticas.)
O capítulo, assim, combina exortação pastoral à santidade — evitando alianças espirituais incompatíveis, como casamentos mistos ou compromissos idólatras — com a comprovação da autenticidade apostólica através do sofrimento paciente e da pureza de vida, culminando na promessa divina de intimidade filial para os que se separam do mal e acolhem a graça no "dia da salvação".
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