A Epístola aos Romanos, a mais extensa e sistemática das cartas paulinas com 16 capítulos, foi escrita por Paulo (com o escriba Tércio, Romanos 16. 22) por volta de 55-57 d.C., provavelmente em Corinto, durante a terceira viagem missionária. Dirigida à comunidade cristã de Roma — não fundada por Paulo, composta predominantemente por gentio-cristãos com presença judaico-cristã —, não responde a crises específicas como as de Corinto ou Gálatas, mas expõe o Evangelho de forma abrangente, preparando a visita planejada (Romanos 1. 10-15; 15. 22-29) e a futura missão na Espanha, além de promover unidade entre judeus e gentios na Igreja. A autoria paulina é consenso acadêmico, com o texto bem preservado (testemunho mais antigo: P46, c. 200 d.C.); hipóteses de composição múltipla ou interpolações (ex.: doxologia final 16. 25-27) são minoritárias.
O tema central, enunciado em Romanos 1. 16-17, é o Evangelho como "poder de Deus para salvação de todo o que crê, primeiro do judeu e também do grego", revelando a "justiça de Deus de fé em fé" (cf. Habacuque 2. 4). A carta desenvolve-se em: universalidade do pecado (caps. 1–3), justificação pela fé em Cristo (caps. 3–5), vida nova no Espírito (caps. 6–8), permanência da eleição de Israel e salvação final de "todo Israel" (caps. 9–11), exortações éticas à consagração, amor, submissão às autoridades e tolerância mútua (caps. 12–15), concluindo com planos missionários e saudações (cap. 16). Paulo equilibra crítica à incredulidade majoritária de Israel com a afirmação de sua eleição irreversível, enfatizando graça universal, soberania divina e ética transformada pelo Espírito.
Historicamente influente — pivotal para Agostinho (conversão), Lutero (justificação pela fé) e debates modernos (Nova Perspectiva sobre Paulo) —, Romanos permanece fundamento teológico sobre pecado, graça, fé e esperança escatológica. Contrasta Lei (que revela pecado) e Evangelho (que liberta), promove igualdade entre judeus e gentios na salvação pela fé, e convida à vida consagrada como "sacrifício vivo" (Romanos 12. 1), culminando na bênção trinitária (Romanos 16. 25-27 em algumas tradições). A epístola revela Paulo no auge da maturidade teológica, oferecendo visão unificada da salvação que transcende divisões étnicas e culturais.