A Primeira Epístola aos Coríntios, atribuída a Paulo e ao coautor Sóstenes, constitui uma das epístolas paulinas do Novo Testamento, redigida em grego koiné por volta de 53-57 d.C., durante a estada de Paulo em Éfeso. Embora intitulada como "primeira", trata-se da segunda carta conhecida enviada à comunidade cristã de Corinto, fundada pelo apóstolo cerca de 50 d.C. A autoria paulina é amplamente aceita pelos estudiosos, com Sóstenes possivelmente atuando além de mero escriba. O texto sobrevive em manuscritos antigos, como o Papiro 46 (c. 175-225 d.C.), Codex Vaticanus e Sinaiticus, embora contenha passagens controversas, como 1Cor 14:34-35 (sobre o silêncio das mulheres nas assembleias), considerada por muitos uma interpolação posterior devido a inconsistências textuais e contraditória com 1 Coríntios 11. 5, e trechos sobre o consumo de carnes sacrificadas a ídolos que sugerem fragmentos ou inserções.
A epístola responde a problemas relatados por informantes (como os de Cloé) e a uma carta recebida dos coríntios, abordando divisões internas, imoralidade sexual, disputas judiciais, questões matrimoniais e de liberdade cristã, além de práticas litúrgicas. Paulo enfatiza a unidade doutrinária, condena vícios como idolatria e imoralidade, defende a pureza sexual e discute o casamento, preferindo o celibato, mas admitindo-o como alternativa ao desejo incontrolado. Temas como o uso de véus pelas mulheres (1 Coríntios 11. 2-16), interpretado como contracultural e relacionado a anjos ou honra comunitária, e a celebração da Ceia do Senhor revelam tensões entre raízes pagãs e a ética cristã emergente.
No capítulo 13, Paulo oferece uma definição clássica de ágape (amor), superior aos carismas, enquanto o capítulo 15 constitui uma defesa fundamental da ressurreição corporal de Cristo e dos mortos, refutando visões dualistas na comunidade que negavam a ressurreição física. Baseado em uma tradição pré-paulina (1 Coríntios 15.3-7), o apóstolo reforça o kerygma apostólico, incluindo aparições do Ressuscitado, e conclui com implicações escatológicas, como a transformação dos corpos em "espirituais". A carta encerra com exortações práticas, saudações e uma bênção, destacando-se por frases influentes na tradição cristã e por seu papel na correção teológica e ética de uma igreja marcada por conflitos internos.