A simplicidade da pregação e o poder de Deus.
¹E eu, irmãos, quando fui até vocês, não fui com excelência de palavras ou de sabedoria, anunciando-lhes o testemunho de Deus. ²Pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e Este crucificado. ³E estive entre vocês em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. ⁴A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder, ⁵para que a fé de vocês não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.
A sabedoria de Deus revelada pelo Espírito.
⁶Todavia, falamos sabedoria entre os que são maduros, não, porém, a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que estão sendo reduzidos a nada; ⁷mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, a sabedoria oculta, a qual Deus predestinou antes dos séculos para a nossa glória, ⁸a qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória. ⁹Mas, como está escrito: “Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, e jamais penetrou no coração humano o que Deus preparou para os que O amam”.
¹⁰Mas Deus no-las revelou pelo Seu Espírito; porque o Espírito perscruta todas as coisas, até mesmo as profundezas de Deus. ¹¹Pois quem, entre os homens, conhece as coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está? Assim também ninguém conhece as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus. ¹²E nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos as coisas que por Deus nos foram gratuitamente dadas. ¹³Destas coisas também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito Santo, discernindo coisas espirituais por meios espirituais.
¹⁴Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. ¹⁵Mas o que é espiritual julga todas as coisas, e ele mesmo não é julgado por ninguém. ¹⁶Pois “quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-Lo?”. Mas nós temos a mente de Cristo.
A Epístola aos Gálatas, integrante do corpus paulino do Novo Testamento, é tradicionalmente atribuída a Paulo de Tarso, com menção a Timóteo como possível coautor ou coemissor, e endereçada às igrejas da Galácia, região da Ásia Menor. Redigida em grego koiné entre 49 e 58 d.C., provavelmente antes do Concílio de Jerusalém, a carta é preservada em manuscritos como o Papiro 46 (c. 200 d.C.), Codex Vaticanus (325-350 d.C.), Codex Sinaiticus (330-360 d.C.), Codex Alexandrinus (400-440 d.C.) e Codex Ephraemi Rescriptus (c. 450 d.C.). O capítulo 1, com 24 versículos, estabelece a autoridade apostólica de Paulo, sua defesa do Evangelho da graça e o relato de sua conversão, confrontando influências judaizantes que promoviam a observância da Lei mosaica. A ausência de uma ação de graças, comum nas epístolas paulinas, reflete a urgência de Paulo em corrigir desvios doutrinários, enfatizando a revelação divina de Cristo como fundamento da fé cristã.
Paulo inicia com saudações, identificando-se como apóstolo “não por homens, mas por Jesus Cristo e Deus Pai” (1:1), destacando sua comissão divina. Ele inclui “todos os irmãos” (1:2), aludindo à comunidade cristã, sem citar colaboradores específicos. Nos versículos 6 a 9, Paulo repreende os gálatas por abandonarem o Evangelho da graça, declarando anátema aos que pregam um “outro evangelho”. Nos versículos 10 a 12, ele afirma que seu Evangelho vem diretamente da revelação de Cristo, não de origem humana. Nos versículos 13 a 17, Paulo descreve sua vida pré-cristã como perseguidor da igreja e sua conversão, seguida de três anos antes de visitar Cefas (Pedro) e Tiago, irmão de Jesus, em Jerusalém (1:18-19). Irineu de Lyon observa que a independência de Paulo reforça a autenticidade de sua missão. O capítulo convoca à fidelidade ao Evangelho, rejeitando legalismos e afirmando a justificação pela fé em Cristo.
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