Pecado grave na igreja e necessidade de disciplina.
¹É geralmente divulgado que há imoralidade sexual entre vocês, e uma imoralidade tal como nem mesmo entre os gentios se menciona: alguém vive com a mulher de seu próprio pai. ²E vocês estão cheios de orgulho, quando antes deveriam ter se entristecido, para que fosse removido do meio de vocês aquele que praticou tal coisa.
³Pois eu, na verdade, ainda que ausente em corpo, mas presente em espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que assim procedeu. ⁴Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, estando vocês reunidos, e o meu espírito juntamente com o poder de nosso Senhor Jesus Cristo, ⁵seja tal pessoa entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus.
O fermento antigo e a nova vida em Cristo.
⁶Não é boa a glória de vocês. Não sabem que um pouco de fermento leveda toda a massa? ⁷Limpem, portanto, o fermento velho, para que sejam nova massa, como de fato são sem fermento. Pois Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós. ⁸Assim, celebremos a festa, não com fermento velho, nem com o fermento da maldade e da perversidade, mas com os pães sem fermento da sinceridade e da verdade.
Julgar dentro da igreja.
⁹Já lhes escrevi em carta que não se associassem com imorais; ¹⁰não me referi, porém, de modo absoluto aos imorais deste mundo, nem aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras, pois então seria necessário sair do mundo. ¹¹Mas agora lhes escrevo que não se associem com alguém que, chamando-se irmão, seja imoral, ou avarento, ou idólatra, ou difamador, ou beberrão, ou extorsionário; com tal pessoa, nem sequer comam.
¹²Pois que tenho eu a ver com julgar os que estão de fora? Não são vocês que julgam os que estão de dentro? ¹³Mas os que estão de fora Deus os julga. Portanto, removam do meio de vocês aquele que pratica o mal.
O quinto capítulo da Primeira Epístola aos Coríntios (1 Coríntios 5) marca o início de uma nova seção da carta (caps. 5–6), na qual Paulo aborda diretamente casos concretos de imoralidade e desordem na comunidade de Corinto. Nos versículos iniciais (v. 1-5), o apóstolo denuncia com veemência um caso grave de incesto: um membro da igreja vivia com a mulher de seu pai, prática que nem mesmo os pagãos toleravam. Em vez de luto e ação disciplinadora, a comunidade mostrava orgulho e tolerância. Paulo, embora ausente fisicamente, pronuncia julgamento em nome do Senhor: reunida a assembleia com o poder de Jesus, o culpado deve ser entregue a Satanás "para destruição da carne", a fim de que o seu espírito seja salvo no Dia do Senhor. Essa medida extrema visa a proteção da comunidade e a possibilidade de arrependimento do pecador.
Nos versículos 6-13, Paulo utiliza a imagem pascal do pão ázimo para exortar à pureza coletiva: "Expurgai o fermento velho para que sejais nova massa, como sois de fato ázimos. Pois Cristo, nossa Páscoa, foi imolado" (v. 7). O fermento simboliza o mal e a corrupção que, se não removidos, contaminam toda a massa — ou seja, toda a igreja. Ele esclarece uma carta anterior mal compreendida: não ordenara evitar completamente os imorais do mundo (o que seria impossível), mas sim não se associar com quem, professando ser irmão, persiste em imoralidade sexual, avareza, idolatria, difamação, embriaguez ou extorsão — com tais pessoas nem sequer se deve compartilhar a mesa. O capítulo conclui com uma citação da Torá (Deuterenômio 17. 7 etc.): "Expulsai o mal do meio de vós" (v. 13), reforçando que a igreja tem a responsabilidade de julgar os de dentro, enquanto Deus julgará os de fora. Assim, Paulo defende uma disciplina eclesial rigorosa para preservar a santidade e a identidade da comunidade cristã em meio a uma cultura pagã permissiva.
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