A Segunda Carta de Paulo aos Tessalonicenses é um dos vinte e sete livros do Novo Testamento e pertence ao conjunto das epístolas paulinas. O primeiro versículo nomeia como autores Paulo, Silas e Timóteo, a mesma tríade que assina a Primeira Carta. Ao contrário desta última, porém, cuja autenticidade paulina é aceita com amplo consenso, a autoria da Segunda Carta permanece objeto de debate intenso e inconcluso entre os estudiosos. Estudiosos de diversas tradições e regiões chegam a conclusões opostas: alguns consideram-na autenticamente paulina, outros classificam-na como epístola deuteropaulina, isto é, redigida por um discípulo que escreveu em nome do apóstolo após a sua morte. O próprio Bart Ehrman, que pessoalmente defende a autoria não paulina, reconhece que esta é a carta cuja autoria suscita "a controvérsia mais acirrada" entre as cartas de autoria disputada, com estudiosos de alta competência divididos em posições opostas.
O tema central da carta é a correção de uma compreensão equivocada sobre a proximidade do fim dos tempos, que havia perturbado parte da comunidade tessalonicense. Alguns crentes haviam entendido que o dia do Senhor já havia chegado — impressão reforçada, segundo o próprio texto, por profecias, ensinamentos orais ou até por cartas apresentadas como provenientes de Paulo —, e essa convicção levara alguns a abandonar as suas atividades habituais, vivendo na ociosidade à espera do fim iminente. A carta responde a esse estado de agitação apresentando um roteiro de acontecimentos que devem preceder a vinda de Cristo, argumentando que determinados eventos ainda não ocorreram e que, portanto, o fim não pode ter chegado. Paralelamente, exorta com insistência ao trabalho quotidiano como expressão de responsabilidade cristã.
A questão da autoria organiza-se em torno de vários argumentos. Os defensores da autoria paulina invocam a unanimidade da tradição desde Irineu de Lyon no século II, a afinidade estilística com a Primeira aos Tessalonicenses e a coerência teológica com o pensamento de Paulo. Assinalam ainda que o número de termos exclusivos não é maior do que em cartas paulinas indiscutíveis de extensão semelhante, e que as diferenças de tom e linguagem podem explicar-se pela diversidade de situações e interlocutores. Os que defendem a autoria não paulina chamam a atenção para a formalidade relativa do texto em comparação com a intimidade da primeira carta, para os indícios de uma preocupação com a autenticidade dos documentos paulinos que seria estranha ao início da vida de Paulo, e para a apresentação de um cronograma escatológico detalhado que parece contradizer a iminência da parusia proclamada na Primeira aos Tessalonicenses. Uma posição intermédia, defendida por alguns, é a da "escrita em nome de Paulo", em que um colaborador próximo, talvez Timóteo ou Silas, teria redigido o texto para desenvolver e clarificar o pensamento do apóstolo num novo contexto.
A seção mais característica e teologicamente mais densa da carta encontra-se no segundo capítulo, onde se descreve a aparição do chamado "homem da iniquidade" ou "filho da perdição" antes da vinda final de Cristo. Esse personagem senta-se no templo de Deus, proclama-se a si mesmo Deus, e atua com o poder de Satanás através de sinais e prodígios enganadores. A sua revelação está sendo retida por uma força ou personagem que o texto não identifica explicitamente. Quando esse entrave for removido, o homem da iniquidade se manifestará, mas será destruído pelo sopro da boca do Senhor Jesus. Esse quadro apocalíptico, que retoma motivos do Livro de Daniel e de outras literaturas judaicas apocalípticas, exerceu uma influência decisiva no desenvolvimento medieval da imagem do Anticristo. O texto da carta tornou-se, ao lado do Livro do Apocalipse, um dos principais pontos de referência para a escatologia cristã nos primeiros séculos e ao longo da Idade Média.
A outra passagem de projeção histórica extraordinária é a exortação ao trabalho do terceiro capítulo: "quem não quer trabalhar, que também não coma." Essa máxima, inserida num contexto de pastoral dirigida a ociosos que perturbavam a comunidade, foi reinterpretada por Lenin no século XX e incorporada nas constituições de vários estados comunistas como princípio da doutrina social marxista. Para a tradição cristã, o sentido original é mais restrito e pastoral: trata-se de uma exortação dirigida especificamente àqueles que, sob o pretexto da espera escatológica, recusavam a responsabilidade do trabalho honesto, não de uma máxima universal sobre o valor social da produção.