A Segunda Epístola aos Coríntios, atribuída a Paulo e ao coautor Timóteo, constitui uma das epístolas paulinas do Novo Testamento, redigida em grego koiné por volta de 55-56 d.C., provavelmente na Macedônia, cerca de um ano após a Primeira Epístola aos Coríntios. Dirigida à igreja de Corinto e aos santos de toda a Acaia, a carta visa defender a autoridade e a autenticidade do ministério apostólico de Paulo perante críticas e opositores — possivelmente judaizantes que questionavam a sua legitimidade —, ao mesmo tempo que busca reconciliar-se com a comunidade após uma "visita dolorosa" intermediária e uma "carta de lágrimas" (aludida em 2 Cor 2:3-4; 7:8). Embora o texto tradicional apresente unidade, alguns estudiosos discutem se caps. 6. 14–7. 1 ou 10–13 poderiam ser fragmentos inseridos posteriormente, sem consenso amplo.
A epístola divide-se em três seções principais: caps. 1–7, com tom afetivo e reconciliação, enfatizando a consolação divina nas tribulações (cap. 1), o perdão ao ofensor (cap. 2), a superioridade da Nova Aliança no Espírito sobre a Antiga na letra (cap. 3), o "tesouro em vasos de barro" e a esperança escatológica (caps. 4–5), a exortação à santidade e separação dos incrédulos (cap. 6), culminando na alegria pela resposta positiva dos coríntios à carta anterior, trazida por Tito (cap. 7). Caps. 8–9 dedicam-se inteiramente à coleta para os pobres de Jerusalém, apresentando o exemplo das igrejas macedônias, o modelo de Cristo que "se fez pobre para nos enriquecer" (2Cor 8:9) e princípios de generosidade alegre, igualdade e recompensa divina. Caps. 10–13 adotam tom polêmico ("discurso do néscio"): Paulo defende-se ironicamente dos "superapóstolos", gloria-se nas fraquezas, revela visões (arrebatado ao terceiro céu) e o "espinho na carne" com a resposta "Basta-te a minha graça" (cap. 12), enumerando sofrimentos como prova de autenticidade (cap. 11), e conclui com advertências para a terceira visita, autoexame e a bênção trinitária clássica: "A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós" (2 Cor 13:13).
Marcada por paradoxos — fraqueza que revela poder divino, sofrimento que manifesta vida de Cristo, mansidão que exerce autoridade para edificação —, a epístola destaca temas como reconciliação (Deus em Cristo reconciliando o mundo, 2 Cor 5:18-20), generosidade como graça, e a Nova Aliança do Espírito que liberta e transforma. Paulo revela profundidade emocional: ansiedade por Tito, alegria na restauração, zelo pela pureza da comunidade como "noiva de Cristo". A carta, lida como unidade, exemplifica a pastoral paulina: correção amorosa, defesa firme e esperança inabalável na graça que sustenta o ministério em meio a tribulações, culminando na visão trinitária da salvação.