07.julho.2026
Michael Faraday, filósofo e cristão.
A vida que passaremos a considerar foi uma tradução prática do preceito divino registrado em Provérbios 23.23:
"Compra a verdade e não a vendas; adquire a sabedoria, a instrução e o entendimento."
Recentemente, jornais de todas as orientações políticas e periódicos de toda espécie anunciaram, com maior ou menor comentário, a morte de Michael Faraday, ocorrida em Hampton Court Green. Nenhum membro da Instituição Real da Grã-Bretanha, nenhum integrante da Sociedade Real, nenhum associado de qualquer sociedade científica ou acadêmica da Europa ou dos Estados Unidos — e, ouso dizer, de qualquer parte do mundo — perguntará: "Quem é Michael Faraday?" Nenhum leitor de literatura científica, nenhum discípulo, por mais humilde que seja, das ciências naturais, nenhum inventor ou fabricante de instrumentos científicos fará essa pergunta. Todos os que leram os relatos das pesquisas experimentais em química e física publicados pela imprensa de nosso tempo, e todos os que investigam as obras materiais de Deus, conhecem, ao menos em parte, a vida, os trabalhos e as honras do professor Faraday.
Ciência é conhecimento. Filosoficamente falando, uma ciência consiste no conjunto das verdades, fatos ou princípios relativos a determinado assunto, classificados, organizados e sistematizados. A religião, enquanto objeto de conhecimento, consiste nas verdades que dizem respeito a Deus e ao relacionamento do homem com Ele. O cristianismo, enquanto objeto de conhecimento, consiste nas verdades relativas à reconciliação do homem com Deus e à sua restauração à comunhão com Ele.
Por que o teólogo e o pregador deveriam temer a ciência que não é, em sentido técnico ou convencional, religiosa e cristã? Digo "convencionalmente religiosa", porque os fatos de toda ciência verdadeira são, nesse sentido, religiosos, visto que são produtos da mente e do poder de Deus. Mas por que o homem religioso ou o mestre cristão deveria temer a verdadeira ciência? Ele pode, e deve, recear a falsa ciência, da mesma forma que receia — ou deveria recear — a falsa doutrina religiosa e a falsa teologia. A verdadeira ciência, porém, nada tem que inspire temor; pelo contrário, deve exercer um poderoso encanto sobre a mente, sendo algo digno de ser desejado, e não suspeitado ou temido.
Os diversos ramos da ciência — física, mental, moral e religiosa — formam um todo perfeito. São como raios distintos que, reunidos, compõem a luz pura e completa do conhecimento. Conhecer Deus como a Causa Primeira e conhecer as causas secundárias — ou, mais precisamente, as forças, os elementos e os agentes empregados por essa Causa Primeira — não diminui nossa apreciação da causa primeira; antes, coloca-nos em melhores condições de reconhecê-la com maior clareza e reverência.
Se a ciência teológica tem por objeto o Obreiro infinito e eterno, e a ciência física tem por objeto as obras e a atuação desse Supremo Mestre, essas duas ciências jamais deveriam parecer divergentes, mas ser vistas como correntes que se unem em um mesmo rio de água da vida.
E por que o mestre e professor de ciências haveria de zombar da verdade religiosa e da doutrina cristã? A ciência da religião reconhece um Deus pessoal — um Ser dotado de mente, coração, vontade e natureza moral infinitas, que está "sobre todos, por todos e em todos". Acaso isso me incapacita para investigar esse "tudo"? Ou me priva de qualquer parcela desse universo ilimitado como objeto de estudo?
Suponhamos que exista, em alguma região da Inglaterra, um vasto parque, conhecido por sua riqueza geológica, botânica e histórica. Suponhamos que eu decida explorar essas riquezas. Estaria eu menos apto para essa tarefa por ter procurado saber quem é o proprietário da propriedade, por ter conhecido seu dono e por tê-lo visitado em sua residência para prestar-lhe homenagem? E se essa propriedade pertencesse a meu próprio pai? Seria eu, por esse motivo, menos cuidadoso em examiná-la do que seria um estranho?
A verdadeira ciência e a verdadeira religião estão em perfeita harmonia. O verdadeiro homem de ciência, se for íntegro e sincero, pode legitimamente reivindicar a confiança e o respeito do mestre da religião e do pregador do santo Evangelho de Cristo.
Não tenho visto, por vezes, homens religiosos e líderes cristãos demonstrarem excessiva timidez diante dos homens de ciência, ao mesmo tempo em que mantêm uma familiaridade deplorável com homens ignorantes e perversos, cuja única recomendação consiste em um título pomposo e vazio — uma pele de leão sobre um jumento — ou na posse de riquezas acumuladas por meio de fraude, falsidade, injustiça e opressão?
Quase um quarto de século se passou desde a primeira vez em que ouvi as palestras do professor Faraday e, desde aquele dia até o presente, seu caráter e suas atividades têm sido objeto de profundo interesse para minha mente e meu coração, exercendo, além disso, uma influência marcante sobre minha formação intelectual.
Todos sabemos que todos os homens são mortais, mas há alguns cuja vida é tão rica, e cujas ações produziram frutos tão abundantes, que nos custa imaginar sua morte. Assim aconteceu comigo em relação ao nosso grande filósofo. Entretanto, Michael Faraday, "havendo servido à sua geração, conforme a vontade de Deus, adormeceu" no dia 25 do mês passado e "foi reunido a seus pais".
Os acontecimentos e fatos da vida privada de Faraday, diferentemente de seus trabalhos e pesquisas, podem ser narrados em poucas palavras. Nasceu em Newington Butts, em 22 de setembro de 1791. Seu pai era ferreiro. Alguns chamam essa de uma origem "humilde" ou "inferior". Mas por que seria "inferior"? Um ferreiro pode ser um homem inferior, assim como também pode sê-lo um bispo, um príncipe ou um rei. Mas o trabalho torna um homem inferior? Um homem é inferior porque trabalha? É inferior porque exerce uma profissão que exige tanto esforço físico quanto intelectual? Um artesão é inferior porque trabalha com bronze e ferro? O pai de uma família é inferior porque, em vez de sustentar seus filhos com a riqueza deixada por um morto — seja ela fruto de herança, acumulação, extorsão ou até roubo — provê o sustento de sua casa por meio de seu próprio trabalho?
Jesus Cristo jamais falou de si mesmo como alguém de origem inferior por ser filho de um carpinteiro. Os fariseus perguntavam: "Não é este o filho de José, o carpinteiro?" Sem dúvida, os fariseus da linhagem, da classe social e da posição continuarão a descrever Faraday como alguém de "origem inferior". Permitam-me, porém, afirmar que o ventre de uma mulher simples, desconhecida, dedicada ao lar, é o ateliê onde Deus molda algumas de suas obras mais sublimes; e que o lar de um trabalhador é a arca na qual Ele frequentemente preservou a infância dos mais nobres, fortes e sábios dentre seus filhos e servos.
Não digo isso para bajular os trabalhadores. Não procuro conquistar sua simpatia ou seu favor. Na verdade, ultimamente eles têm sido tão lisonjeados, cortejados, exaltados e transformados em objeto de intermináveis discursos que isso chega a causar repulsa aos muitos homens honestos e de reta consciência que pertencem a essa numerosa e influente classe.
O filho do ferreiro foi enviado para uma escola elementar nas proximidades de sua casa, onde aprendeu a ler, escrever e fazer contas. Além disso, ao que tudo indica, adquiriu uma considerável quantidade de conhecimentos gerais. Um rapaz como o jovem Faraday aprenderia mais e aproveitaria melhor uma escola desse tipo do que um menino de princípios inferiores estudando em Eton ou Harrow. Não há honra inerente ao simples fato de frequentar uma prestigiosa escola pública. O jovem que, colocado em meio às maiores oportunidades educacionais, deixa de aproveitá-las, é desonrado — e não honrado — por seus privilégios. Um menino aplicado e diligente que frequenta o que se costuma chamar de "escola comum" não merece nossa compaixão pelo fato de suas oportunidades serem, por enquanto, mais modestas.
"Ao que tem, mais lhe será dado."
Quando tinha apenas treze anos, Michael Faraday foi aprendiz de um livreiro e encadernador de Londres. Essa profissão foi escolhida por causa de sua grande paixão pelos livros. Às vezes imagino que o conteúdo dos livros passa, por algum misterioso processo, para a mente dos editores, livreiros e encadernadores. Todos os homens dessas profissões com quem tive contato demonstravam possuir um conhecimento amplo e diversificado, embora não fossem leitores vorazes. Basta dizer que o ofício ao qual Faraday foi destinado alimentou seu gosto pela leitura e lhe proporcionou uma extraordinária oportunidade de entrar em contato com toda espécie de conhecimento.
Entre os muitos livros que passaram por suas mãos havia diversos tratados científicos. Essas obras despertaram nele o desejo de investigar os mistérios e os fenômenos da criação material e o conduziram, mais tarde, à pesquisa experimental. A construção de uma máquina eletrostática, primeiro utilizando um frasco de vidro e depois um cilindro, colocou Faraday diante daquela "força" cujos fenômenos se tornariam o principal campo de suas pacientes, contínuas e bem-sucedidas investigações.
Os acontecimentos seguintes da vida do jovem filósofo podem ser apresentados em suas próprias palavras. Escrevendo ao Dr. Paris, em 1829, o professor Faraday relata:
"Quando eu era aprendiz de um livreiro e encadernador, gostava muito de realizar experimentos e tinha aversão ao comércio. Aconteceu que um cavalheiro, membro da Instituição Real, levou-me para assistir a algumas das últimas palestras de Sir Humphry Davy, na Albemarle Street. Tomei notas durante as exposições e, posteriormente, as passei a limpo em um volume em formato quarto.
Meu desejo de abandonar o comércio, que eu considerava uma atividade egoísta e degradante, e ingressar no serviço da ciência, que eu imaginava tornar seus dedicados praticantes pessoas generosas e nobres, levou-me finalmente a tomar a ousada, porém simples, decisão de escrever a Sir Humphry Davy. Nessa carta expus meus desejos e manifestei a esperança de que, caso surgisse alguma oportunidade, ele pudesse favorecer meus planos. Juntamente com a carta, enviei-lhe as notas que havia tomado durante suas palestras.
A resposta, que constitui o ponto principal desta comunicação, envio-lhe no original, pedindo que a conserve com todo o cuidado e depois a devolva, pois o senhor pode imaginar o quanto ela é preciosa para mim."
A carta dizia o seguinte:
"24 de dezembro de 1812.
"Senhor,
Estou longe de me sentir descontente com a demonstração de confiança que o senhor me deu, a qual revela grande zelo, excelente memória e atenção. Preciso ausentar-me da cidade e não estarei estabelecido novamente em Londres antes do fim de janeiro. Nessa ocasião, terei prazer em recebê-lo no momento que lhe for conveniente. Ser-me-ia uma satisfação poder prestar-lhe algum auxílio. Espero que esteja ao meu alcance fazê-lo.
Atenciosamente,
Seu obediente e humilde servo,
H. Davy.
Ao Sr. Faraday."
Faraday prossegue:
"Como o senhor pode observar, isso ocorreu no final do ano de 1812. No início de 1813, Sir Humphry Davy pediu que eu fosse encontrá-lo e informou-me de que estava vaga a função de assistente no laboratório da Instituição Real. Ao mesmo tempo em que atendia ao meu desejo de ingressar em uma ocupação científica, aconselhou-me a não abandonar levianamente as perspectivas profissionais que eu já possuía. Disse-me que a ciência era uma senhora exigente e que, do ponto de vista financeiro, recompensava muito modestamente aqueles que dedicavam sua vida ao seu serviço.
Sorriu de minha ideia de que os homens dedicados à filosofia possuíam sentimentos morais superiores e afirmou que alguns anos de experiência bastariam para corrigir essa impressão.
Por fim, graças à sua generosa recomendação, ingressei na Instituição Real no início de março de 1813 como assistente de laboratório. Em outubro do mesmo ano acompanhei-o em sua viagem ao continente europeu, servindo-lhe como assistente em seus experimentos e em seus trabalhos de redação. Retornei com ele em abril de 1815, reassumi meu posto na Instituição Real e, como o senhor sabe, ali permaneci desde então."
Não é esta a ocasião apropriada para acompanhar detalhadamente a trajetória profissional do filósofo desde o dia em que se tornou assistente de laboratório da Instituição Real até sua última aparição pública como conferencista, cerca de cinco anos atrás. Suas primeiras contribuições para periódicos científicos datam de 1815; suas primeiras descobertas importantes, de 1820; suas conferências públicas, de 1829; e, em 1831, Faraday deu início àquela extraordinária série de pesquisas experimentais sobre eletricidade que culminou nas célebres descobertas que constituem a coroa de sua carreira científica.
Onde encontraremos outra vida em que tenha havido tanto trabalho — e tanto trabalho levado a bom termo? Onde encontraremos uma mente igualmente dotada de paciência e poder, de prudência e coragem? Em que outra vida o esforço foi coroado por um êxito tão glorioso? E onde encontraremos uma existência em que filosofia e piedade tenham estado unidas de maneira tão sincera, harmoniosa e bela?
Desejo chamar a atenção de meus leitores, especialmente dos jovens, para alguns dos muitos aspectos luminosos da vida de Michael Faraday.
O primeiro deles é:
Seu uso diligente e consciente das oportunidades presentes, fossem elas muitas ou poucas, grandes ou pequenas.
A escola em que o jovem Faraday estudou não oferecia nem prometia instrução nos níveis mais elevados do conhecimento. Contudo, em vez de desprezar a educação que ali recebia ou desperdiçar suas energias em murmurações e inveja, aproveitou plenamente tudo o que lhe era ensinado.
Naquela época, ele não tinha acesso a grandes bibliotecas, nem possuía muitos livros. Ainda assim, lia cuidadosamente tudo o que lhe caía às mãos ou que conseguia obter. Seu período de aprendizagem ampliou suas possibilidades de leitura, e ele expandiu seus estudos na mesma medida em que cresciam seus recursos.
Enquanto servia como assistente de Humphry Davy, William Hyde Wollaston e outros cientistas, dedicava-se intensamente às pesquisas que realizavam. Ainda assim, encontrava algum tempo para suas próprias investigações e, por menor que fosse, esse tempo era inteiramente empregado em pesquisas independentes.
Mais tarde, quando os anos lhe abriram um vasto horizonte de recursos e oportunidades praticamente ilimitadas, jamais lançou âncora sem motivo justo, nem recolheu as velas ou reduziu sua marcha. Pelo contrário, aproveitando cada sopro de vento favorável, navegou de porto em porto e de enseada em enseada, enriquecendo continuamente a preciosa carga de conhecimento que transportava.
O dia das pequenas oportunidades paralisa alguns homens; o dia das grandes oportunidades paralisa outros. Há quem nada faça porque só pode fazer um pouco, e há quem faça muito pouco porque se contenta, de maneira insensata, em possuir os meios para realizar grandes coisas.
A vida de Faraday ilustra perfeitamente as palavras do Salvador:
"Aquele que é fiel no pouco também é fiel no muito."
Muito cedo, Faraday revelou um sincero desejo de viver uma vida piedosa, uma vida de religião pura e sem mácula.
A razão que apresentou, ainda na adolescência, para desejar mudar de profissão é particularmente significativa. Referindo-se àqueles anos de juventude, escreveu, como já vimos:
"Meu desejo de abandonar o comércio, que eu considerava uma atividade egoísta e moralmente prejudicial, e ingressar no serviço da ciência, que eu imaginava tornar seus praticantes pessoas generosas e nobres..."
Não precisamos discutir agora se o comércio é, em todos os casos, egoísta e moralmente nocivo, ou se os homens de ciência são sempre amáveis e generosos. Para o nosso propósito, basta saber que o jovem Faraday acreditava que enfrentaria menos tentações contra a piedade como filósofo do que como comerciante e que, por essa razão, desejava intensamente mudar de ocupação.
Aqui encontramos uma verdadeira fome e sede de justiça.
"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos."
Sem dúvida, as tentações são tão reais na Albemarle Street quanto na Blandford Street; são tão reais no laboratório onde Humphry Davy realizava suas pesquisas quanto na livraria e oficina de encadernação do Sr. Riebau. Todavia, o desejo de estar em um ambiente onde pudesse viver uma vida piedosa, justa e sóbria revela que seu coração juvenil era, como o do jovem rei Josias, "sensível" e fazia "o que era reto aos olhos do Senhor".
A suprema satisfação na verdade comprovada foi uma das características mais belas de Michael Faraday, desde a juventude até a velhice.
Em sua palestra "Observações sobre Educação Mental" — na qual revela muito de sua vida interior — há uma passagem que justifica plenamente essa afirmação:
"A inclinação que demonstramos em relação a qualquer relato ou opinião que esteja em harmonia com nossas ideias preconcebidas só pode ser comparada, em intensidade, à incredulidade que demonstramos diante de tudo o que as contradiz. E essas atitudes opostas, aparentemente incompatíveis — ou, pelo menos, incoerentes — coexistem simultaneamente da maneira mais extraordinária. Em um momento, admite-se uma violação das leis da natureza sem sequer a pretensão de um exame cuidadoso das evidências; no momento seguinte, rejeita-se toda a força dessas mesmas leis, que atuam de forma constante ao longo de todos os tempos, simplesmente porque o testemunho que elas oferecem é desagradável.
"Estou firmemente convencido de que ninguém pode examinar a si mesmo, mesmo nas questões mais comuns que lhe dizem respeito pessoalmente — ou que envolvam alguma pessoa, pensamento ou assunto relacionado a si — sem logo perceber a força dessa tentação e a dificuldade de resistir-lhe. Eu poderia apresentar numerosos exemplos tirados de minha própria experiência, relacionados ao magnetismo atmosférico, às linhas de força, à atração, à repulsão, à unidade das forças, à natureza da matéria e a muitos outros temas; ou ainda exemplos ligados à nossa natureza comum, como simpatias e antipatias, desejos, esperanças e temores. Contudo, isso seria impróprio e também desnecessário, pois cada um de nós sabe que existe, nesse aspecto, um vasto campo ainda tristemente inculto em sua própria vida.
"Limitar-me-ei a expressar minha firme convicção de que o aspecto mais importante da autoeducação consiste em ensinar a mente a resistir aos seus próprios desejos e inclinações até que se demonstre que eles estão corretos. Considero esse princípio o mais importante de todos, não apenas nas questões da filosofia natural, mas em todos os aspectos da vida cotidiana."
A hipótese, para Faraday, nunca foi um substituto daquilo que já havia sido demonstrado, mas uma escada pela qual ascendia a conclusões sólidas. Para ele, uma teoria era apenas um fio condutor, empregado diligentemente na busca da verdade. Talvez nenhum outro homem tenha feito um uso mais sábio e cauteloso das teorias.
Aquilo que permanecia duvidoso jamais era colocado entre os tesouros de seu conhecimento. O que se mostrava falso ele rejeitava com mão firme, braço vigoroso e coração íntegro; mas aquilo que ainda não havia sido comprovado também não era guardado em seu cofre de preciosidades, nem colocado em sua bolsa como se fosse uma moeda de circulação corrente.
Faraday viveu, trabalhou e dedicou seus esforços à busca das coisas que "são verdadeiras": verdadeiras a respeito de si mesmo e de todos com quem convivia; verdadeiras acerca do mundo material, cuja interpretação constituiu a missão de sua vida; verdadeiras acerca de seu Salvador e de Deus. E, uma vez encontradas, jamais as abandonava. Outros podiam compartilhá-las, mas ele as preservava com vigilância e reverência, como coisas sagradas, no santuário de seu trabalho e no templo de sua vida. Nenhum suborno ou tentação, por mais atraente que fosse, poderia levá-lo a renunciar a uma verdade ou a adotar e defender um erro.
A humildade e a modéstia do saudoso filósofo eram tão notáveis quanto suas realizações e talentos.
Ele sequer parecia pensar de si mesmo além do que era justo. Nunca superestimava seus trabalhos nem os resultados que alcançava. Sua sinceridade o impedia de fingir que nada havia realizado; contudo, a avaliação que fazia de si mesmo e de sua obra era muito inferior àquela que os outros faziam.
Isso explica também sua discrição. Homens inferiores, com suas vozes estridentes, seus passos ruidosos e sua presença espalhafatosa, impõem-se aos demais com indisfarçável presunção. O homem pequeno, engrandecido apenas em sua própria opinião, procura impor-se a todos, mesmo quando ninguém deseja reconhecê-lo.
Na presença de um homem verdadeiramente grande e modesto, porém, percebe-se uma luz e um calor que o envolvem silenciosamente, acolhidos espontaneamente pelas mais nobres e delicadas sensibilidades da natureza humana.
Foi dessa humildade e modéstia que nasceu sua genuína independência em relação às honras concedidas pelos homens. Aqueles que têm elevada opinião de si mesmos anseiam pelas distinções que o mundo pode conferir; calculam cuidadosamente o reconhecimento que julgam merecer; amarguram-se quando são ignorados e se deixam infantilmente exaltar quando finalmente recebem honrarias.
Reis, príncipes, eruditos, estadistas e filósofos tiveram prazer em homenagear Faraday. Contudo, ele usava todas essas distinções como se fosse o menor entre os discípulos da escola da ciência, parecendo tão inconsciente delas quanto uma criança que se enfeita com as joias de sua mãe sem perceber o valor das preciosidades que traz consigo.
A paciência de nosso filósofo era algo verdadeiramente extraordinário.
Ele sabia clamar pelo conhecimento e erguer sua voz em busca do entendimento. Sabia procurar a sabedoria como quem busca prata e persegui-la como quem procura um tesouro escondido. Sabia pedir e esperar; buscar e esperar; bater à porta e esperar; clamar com insistência e fervor, e ainda assim continuar esperando.
A paciência é uma força poderosa em uma grande alma. É uma virtude que coroa uma vida nobre.
Foi por meio de passos curtos, prudentes e seguros que Faraday avançou rumo às suas descobertas. Não desejava possuir asas para chegar mais depressa; contentava-se em prosseguir com os próprios pés, nunca dando passos precipitados nem correndo com impaciência, mas avançando constantemente, um passo após o outro.
Os relatos de seus experimentos ilustram e comprovam perfeitamente esse espírito. Em seu artigo sobre os "Limites da Vaporização", ao mencionar o longo tempo exigido pelas observações necessárias, escreveu:
"Quatro anos se passaram, durante os quais os efeitos, se existirem, estiveram se acumulando."
Essa simples observação mostra sua disposição para esperar anos por um resultado relativamente modesto. Mas o que dizer de sua perseverança na investigação que conduziu à descoberta da magnetoeletricidade? Uma paciência que foi recompensada, a princípio, apenas por uma pequena faísca e que hoje se vê coroada pela mais poderosa fonte de luz artificial.
Quem deseja trabalhar continuamente, com esperança e êxito, precisa aprender também a esperar com paciência.
Ao contemplarmos a vida de Faraday, seus traços mais luminosos surgem diante de nós como as estrelas que, uma após outra, aparecem no céu ao entardecer.
Havia nele uma doçura cativante e uma simplicidade conquistadora que ninguém que o conhecesse deixava de perceber e admirar. Havia também um desenvolvimento harmonioso de todas as suas faculdades. Limito-me apenas a mencionar essas qualidades. Outras tantas precisarão ser deixadas de lado. Há, porém, duas que não podem passar despercebidas: sua alegria em conhecer e ensinar, e seu cristianismo pessoal.
Para Faraday, o conhecimento sólido e comprovado era mais valioso do que o lucro da prata ou o rendimento do ouro mais puro.
Era para ele mais precioso do que os rubis; nenhuma outra coisa que pudesse desejar se comparava a esse tesouro.
Igualmente preciosas eram as oportunidades de transmitir aquilo que havia aprendido. Bastava encontrar um ouvido disposto a ouvir ou um olhar atento — ou, melhor ainda, ambos — para que ensinar, comunicar e compartilhar o conhecimento se tornasse um dos maiores deleites de sua alma.
7. Mas, finalmente, apressemo-nos em destacar que Michael Faraday viveu como um verdadeiro cristão enquanto se dedicava às atividades de um filósofo experimental.
Suas convicções acerca da revelação divina são expressas nas seguintes palavras:
"Por mais elevada que seja a posição do homem acima das criaturas que o cercam, existe diante dele uma posição ainda mais alta e infinitamente mais exaltada. São incontáveis as maneiras pelas quais ele ocupa seus pensamentos com os temores, as esperanças e as expectativas da vida futura.
Creio que a verdade acerca desse futuro não pode ser alcançada por nenhum esforço das faculdades mentais humanas, por mais elevadas que sejam. Ela é dada ao homem por um ensino que não procede dele mesmo e é recebida pela simples fé no testemunho que Deus concedeu.
Que ninguém suponha, por um momento, que a autoeducação que recomendo para as questões desta vida se estenda à esperança que nos foi proposta, como se o homem pudesse, pelo raciocínio, chegar ao conhecimento de Deus. Seria impróprio desenvolver esse assunto aqui, além de afirmar a absoluta distinção entre a fé religiosa e a crença comum.
Serei acusado de incoerência por me recusar a aplicar às mais elevadas de todas as questões os mesmos processos mentais que considero apropriados para as demais. Estou disposto a suportar essa crítica.
Ainda assim, mesmo nas coisas terrenas, creio que 'os atributos invisíveis de Deus, assim como seu eterno poder e sua divindade, claramente se reconhecem, desde a criação do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas'; e nunca encontrei qualquer incompatibilidade entre aquilo que o espírito do homem pode conhecer acerca das coisas humanas e aquelas realidades mais elevadas relativas ao seu destino eterno, que esse mesmo espírito, por si só, não pode conhecer."
Por nascimento e educação, Faraday pertenceu ao grupo religioso conhecido como Sandemanianos ou Glassitas. Entre as características doutrinárias dessa igreja estava a crença de que a fé é uma graça passiva, pela qual o homem não é, em sentido algum, responsável, sendo implantada no coração pelo Espírito Santo sem o consentimento da vontade humana.
Entre as práticas distintivas desse grupo encontravam-se o silêncio sobre assuntos religiosos diante daqueles que não professavam a fé cristã, a disposição de gastar e distribuir toda a própria renda, e o exercício de uma profissão secular por parte de seus pastores e presbíteros.
Nessa igreja, Faraday não foi apenas um membro, mas também um presbítero. Durante muitos anos ministrou aos domingos pela manhã e às quartas-feiras à noite, lendo e expondo as Escrituras e dirigindo o culto de uma congregação que inicialmente se reunia na Goswell Street, na Cidade de Londres, e posteriormente em Barnsbury.
Parece-me haver algo no próprio caráter de Faraday que explica sua ligação com essa comunidade religiosa e, ao mesmo tempo, muito do que o preservou não apenas dos efeitos nocivos de alguns de seus equívocos doutrinários, mas também daquilo que, para um observador externo, parecia constituir um rigor excessivo, uma rigidez desnecessária e um perigoso estreitamento de visão.
Há homens que vivem abaixo dos princípios que professam. Faraday viveu acima das particularidades de sua confissão religiosa. Há homens que são moralmente inferiores ao próprio credo que sustentam; Faraday, porém, era superior às limitações de sua tradição.
Ele não era fatalista. Não impunha limites ao amor nem à bondade de Deus. E, embora seus lábios frequentemente permanecessem em silêncio sobre questões religiosas, sua vida e seu espírito falavam continuamente.
A incredulidade e a irreligião dos outros lhe causavam tristeza. A fé e a piedade lhe traziam verdadeira alegria.
Para nós, basta saber que ele cria em um só Deus, o Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra; em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho unigênito de Deus; e no Espírito Santo, Senhor e Doador da vida. Basta saber que seu caráter foi moldado e sua conduta orientada pelas melhores verdades de sua fé cristã.
Basta saber que possuía uma fé firme e reverente naquilo que todos reconhecemos como o cristianismo puro; e que sua fé não era morta, por estar sem obras, mas viva, manifestando-se no serviço benevolente ao próximo e em uma caminhada humilde e constante com Deus.
Alguns ainda se recordarão da maneira expressiva com que lia as Sagradas Escrituras, de suas exposições da Palavra de Deus e de suas fervorosas orações e louvores. Contudo, multidões que jamais ouviram falar da igreja à qual pertencia ou de seu ministério religioso conservarão, acima de tudo, a lembrança de sua vida santa.
No que diz respeito a esta vida e ao tempo presente, essa vida santa pertence agora à memória, pois, no último domingo do mês passado, ele partiu serenamente desta vida — partiu para viver novamente onde a luz de toda ciência é iluminada e aperfeiçoada pelo conhecimento de Deus, no qual consiste a vida eterna.
Se alguém perguntar por que, neste lugar, neste dia e neste culto, apresentamos à consideração de todos a vida de um filósofo, a resposta deve ser encontrada em tudo o que esse homem foi e em tudo o que realizou.
Se for permitido mencionar razões menores — menores apenas porque dizem respeito ao próprio pregador — elas se encontram no efeito que uma palestra de Faraday, ouvida ou lida, sempre produziu sobre sua mente: fortalecendo-a para a reflexão sobre os assuntos religiosos e tornando ainda mais firme a resolução de conhecer e proclamar somente aquilo de que se pode ter plena certeza, somente a verdade.
Isso está em perfeita harmonia com uma observação feita em uma resenha de Pesquisas Experimentais sobre Eletricidade, publicada no Philosophical Magazine de outubro de 1855:
"O valor das descobertas de Faraday consiste, em grande medida, na quantidade de poder intelectual que elas colocam em ação."
Se, porém, devemos apresentar as razões mais importantes, elas são estas: a necessidade de reconhecer a relação entre a ciência e a religião revelada, e o grande valor do testemunho oferecido por um filósofo cristão em favor da verdade de que a verdadeira ciência e a verdadeira religião não estão em conflito, mas são, por determinação divina, uma só.
Tenho plena consciência das limitações desta homenagem prestada, com reverência, à vida e ao trabalho de um dos maiores homens de nosso tempo. A coroa que deposito sobre seu túmulo é feita de flores silvestres, simples e comuns, reunidas por mãos sem habilidade artística. O perfume com que procuro honrar sua memória não é um precioso nardo, mas apenas aquilo que os pobres podem oferecer.
Nosso "Muito bem!" é apenas um sussurro tímido e discreto, e não a vibrante aclamação de seus companheiros de ciência. Nossa apreciação de sua vida e de sua obra assemelha-se, em certos aspectos, à de uma criança que segura joias cujo valor ultrapassa sua capacidade de compreendê-las.
Ainda assim, nossa homenagem é sincera e inteiramente espontânea: a oferta de um coração livre, cheio de estima e afeto.
Que as descobertas de Michael Faraday continuem, por muitos anos, a aliviar o sofrimento, suprir as necessidades humanas, favorecer a indústria e a agricultura e atrair para os santuários mais profundos do templo do mundo material muitos daqueles que hoje permanecem do lado de fora de seus portões ou apenas em seus átrios exteriores.
Que a instituição que acolheu e formou esse filho da ciência seja igualmente abençoada com muitos outros filhos semelhantes e permaneça fiel à sua missão de nutrir e desenvolver o verdadeiro conhecimento.
Que os sucessores de Faraday sejam homens animados do mesmo espírito e da mesma disposição; e que sua vida santa conduza muitos estudantes das ciências para longe do ceticismo elegante e tão em voga em seu tempo, levando-os aos caminhos da verdadeira religião e da fé cristã.
Que suas descobertas continuem sendo, para usar as eloquentes palavras do Dr. Tyndall, "veios de ouro nos quais os maiores espíritos científicos da presente geração podem trabalhar, e nos quais milhares das gerações futuras trabalharão com benefícios incalculáveis para a humanidade."
Michael Faraday morreu para nós e para este mundo, mas continua vivo. Talvez já revestido de um novo corpo, continua sedento de conhecimento e, mesmo agora, continua aprendendo. Libertado do peso da carne e purificado de todo mal espiritual, talvez já tenha iniciado uma nova jornada rumo a objetivos ainda mais elevados.
Os antigos companheiros de sua caminhada na ciência e na fé ele já encontrou novamente. Os autores das Sagradas Escrituras são agora seus conhecidos pessoais, juntamente com todos os profetas e apóstolos. O Salvador, a quem amou sem jamais tê-lo visto, agora contempla face a face e ama com ainda maior intensidade, diante da visão bem-aventurada de Sua glória.
O estudioso das obras de Deus está agora na presença do próprio Deus. O rio da criação já o encantava; que efeito, então, não produzirá habitar junto à Fonte — a Fonte de todos os fatos, materiais e espirituais; a Fonte de toda força, material e espiritual; a Fonte de todo ser, material e espiritual; a Fonte de toda luz, de todo amor e de toda vida; o Sol que ilumina o eterno dia da existência!
"Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus."
Durante os últimos anos de sua vida, uma nuvem de enfermidade física pairou sobre Michael Faraday.
Era a nuvem que precede o pôr do sol.
Ainda assim, alguém que esteve continuamente ao seu lado escreveu, cerca de um ano antes de sua morte:
"É, de fato, uma grande fonte de alegria vê-lo tão sereno e tão confiante; ele é realmente como uma criancinha."
Essa nuvem foi leve quando comparada aos acontecimentos da longa, laboriosa e frutífera jornada de sua vida. E ela não permaneceu por muito tempo. O bater das asas do Anjo da Morte a dissipou; e, quando os portões do Paraíso se abriram para receber aquele que havia sido um dos maiores intérpretes das obras gloriosas de Deus, a luz dourada que deles irradiava dispersou para sempre toda sombra e toda nuvem.
~
Samuel Martin
Michael Faraday: Philosopher And Christian, 1867.