John Newton (1725-1807), nascido em 4 de agosto de 1725 em Wapping, Londres, e falecido em 21 de dezembro de 1807 na mesma cidade, foi um destacado clérigo anglicano evangélico, hinos-compositor e proeminente abolicionista britânico. Ele é amplamente celebrado por sua contribuição à hinologia protestante, destacando-se como o autor do célebre hino "Amazing Grace", cuja mensagem reflete o impacto de sua própria transformação espiritual. Sua vida, pautada por um fervoroso ministério pastoral e pelo engajamento na causa abolicionista, esteve conduzida por uma profunda espiritualidade de gratidão e humildade diante da graça divina. Seus trabalhos de assistência pastoral, pregação expositiva e produção literária, alinhados ao rigor técnico de sua denúncia documentada contra o comércio transatlântico de escravizados, consolidaram seu legado como uma das figuras mais emblemáticas do avivamento evangélico do século XVIII.
Criado por sua mãe, Elizabeth, uma cristã não conformista que lhe transmitiu as primeiras instruções bíblicas antes de falecer de tuberculose quando ele tinha sete anos, Newton foi posteriormente educado em um internato antes de ingressar na vida marítima aos onze anos sob a tutela de seu pai, capitão da Marinha Mercante. Em 1743, foi recrutado à força pela Marinha Real a bordo do HMS Harwich, onde serviu como guarda-marinha até tentar desertar, sendo punido com açoites públicos e rebaixado a marinheiro simples. Após essa desgraça, transferiu-se para uma embarcação negreira e viveu em condições de extrema degradação e servidão na costa da Serra Leoa, na África Ocidental. Resgatado em 1748 por ordem de seu pai a bordo do navio Greyhound, Newton enfrentou uma tempestade avassaladora na costa de Donegal, na Irlanda, ocasião em que a ameaça iminente de naufrágio o levou a clamar pela misericórdia de Deus, marcando o início de sua conversão pessoal e o abandono de hábitos profanos.
Após o retorno à Inglaterra em 1748, Newton estabeleceu-se em Liverpool e atuou como primeiro-imediato e, posteriormente, como capitão de embarcações no comércio triangular de escravizados, realizando expedições nas embarcações Duke of Argyle e African. Após sofrer um grave problema de saúde em 1754, abandonou definitivamente a navegação e assumiu o cargo de inspetor alfandegário do Porto de Liverpool. Durante seu tempo livre, casou-se com Mary Catlett em 1750 e dedicou-se ao estudo autônomo do grego, do hebraico e do siríaco, preparando-se rigorosamente para o ministério eclesiástico. Apesar de enfrentar uma espera de sete anos e recusa inicial da hierarquia anglicana, foi finalmente ordenado diácono e presbítero em 1764 com o apoio do conde de Dartmouth, assumindo o curato da paróquia de Olney, no condado de Buckinghamshire, onde exerceu o ministério por dezesseis anos.
Durante seu pastoreio em Olney, Newton distinguiu-se pelo zeloso cuidado pastoral, pela pregação acessível aos pobres e pela sólida cooperação com protestantes não conformistas. Em 1767, iniciou uma estreita amizade com o poeta William Cowper, com quem colaborou na composição de um extenso repertório de hinos para o culto congregacional. Essa parceria resultou na publicação dos "Olney Hymns" em 1779, coletânea de imensa influência na música sacra de língua inglesa que incluiu hinos célebres como "Glorious Things of Thee Are Spoken", "How Sweet the Name of Jesus Sounds!" e a composição "Faith's Review and Expectation", mundialmente conhecida pelo seu verso inicial "Amazing Grace". Em 1779, aceitou o convite do filantropo John Thornton para assumir o cargo de reitor da igreja St Mary Woolnoth, em Londres, onde se tornou um dos principais expoentes do movimento evangélico na capital e conselheiro espiritual de líderes proeminentes, como o parlamentar William Wilberforce.
No campo da ética social e do ativismo abolicionista, Newton utilizou sua experiência direta no tráfico transatlântico para fundamentar uma contundente crítica moral e técnica contra a escravidão. Em 1788, publicou o influente panfleto "Thoughts Upon the African Slave Trade", no qual descreveu minuciosamente as condições desumanas das embarcações e a brutalidade da travessia do Atlântico, pedindo perdão público por sua antiga participação no comércio humano. O documento foi distribuído a todos os membros do Parlamento Britânico e serviu como uma das principais bases testemunhais para a campanha abolicionista liderada por William Wilberforce. Newton viveu o suficiente para testemunhar a aprovação do Ato do Tráfico de Escravos pelo Parlamento em 1807, poucas semanas antes de falecer, vendo concretizada a abolição legal do comércio negreiro pelo Império Britânico.
Newton faleceu em Londres aos oitenta e dois anos de idade, poucos anos após a morte de sua esposa Mary, sendo sepultado inicialmente no cofre de St Mary Woolnoth e, mais tarde, trasladado para o cemitério da igreja de São Pedro e São Paulo em Olney. Em seu túmulo foi gravado o epitáfio por ele próprio escrito, no qual se descreve como um servo perdoado, preservado e restaurado pela rica misericórdia de Jesus Cristo para pregar a fé que outrora combateu. Sua vida, caracterizada pela harmonia entre o rigor da denúncia abolicionista, o cuidado pastoral e a sensibilidade poética, permanece até os dias de hoje como um modelo de fé madura e transformação pela graça de Deus.