A morte de Saul e de seus filhos.
¹Os filisteus lutaram contra Israel, e os homens de Israel fugiram diante dos filisteus, caindo mortos no monte Gilboa. ²Os filisteus perseguiram de perto Saul e os seus filhos, e mataram Jônatas, Abinadabe e Malquisua, filhos de Saul. ³A batalha se tornou muito intensa contra Saul. Os arqueiros o alcançaram, e ele foi gravemente ferido.
⁴Então Saul disse ao seu escudeiro: "Desembainhe a sua espada e atravesse-me com ela, para que estes incircuncisos não venham, me atravessem e me maltratem".
Porém o seu escudeiro não quis fazê-lo, porque estava com muito medo. Então Saul tomou a própria espada e lançou-se sobre ela. ⁵Quando o escudeiro viu que Saul havia morrido, também se lançou sobre a sua espada e morreu com ele. ⁶Assim morreram naquele mesmo dia Saul, os seus três filhos, o seu escudeiro e todos os seus homens.
⁷Quando os homens de Israel que estavam do outro lado do vale e do outro lado do Jordão viram que os israelitas haviam fugido e que Saul e os seus filhos estavam mortos, abandonaram as suas cidades e fugiram. Então os filisteus vieram e passaram a habitá-las.
Os filisteus profanam o corpo de Saul.
⁸No dia seguinte, quando os filisteus vieram para despojar os mortos, encontraram Saul e os seus três filhos caídos no monte Gilboa. ⁹Então cortaram a cabeça de Saul, tiraram-lhe a armadura e enviaram mensageiros por toda a terra dos filisteus para anunciar a notícia nos templos dos seus ídolos e entre o povo. ¹⁰Colocaram a armadura de Saul no templo de Astarote e prenderam o seu corpo ao muro de Bete-Seã.
Os homens de Jabes-Gileade honram Saul.
¹¹Quando os habitantes de Jabes-Gileade souberam o que os filisteus haviam feito a Saul, ¹²todos os homens valentes se levantaram, caminharam toda a noite, retiraram do muro de Bete-Seã o corpo de Saul e os corpos de seus filhos, e os levaram para Jabes, onde os queimaram. ¹³Depois recolheram os seus ossos, sepultaram-nos debaixo da tamargueira em Jabes e jejuaram durante sete dias.
O trigésimo primeiro e último capítulo do Primeiro Livro de Samuel relata o desfecho trágico e definitivo da monarquia de Saul no monte Gilboa, registrando a morte do primeiro rei de Israel e de seus filhos perante a ofensiva filisteia, bem como a comovente ação dos homens de Jabes-Gileade para resgatar os seus corpos. Redigido originalmente no idioma hebraico e composto por treze versículos, o texto encerra a primeira grande seção da história monárquica veterotestamentária, situando os eventos por volta do ano mil e cem antes de Cristo, no crepúsculo do período dos Juízes. A integridade desta transmissão paleográfica é salvaguardada por testemunhos do Texto Massorético nos Códices do Cairo, de Alepo e de Leningrado, além de fragmentos dos Rolos do Mar Morto — especificamente o manuscrito quatro Q cinquenta e um, que preserva os versículos um a quatro e apresenta no fragmento XIII uma linha em branco que separa formalmente este fecho do início de Segundo Samuel — e das antigas lições em grego koiné da Septuaginta. Sob a perspectiva da engenharia literária veterotestamentária, o autor sagrado estabelece um dramático contraste entre o fracasso militar e espiritual de Saul e o triunfo paralelo de Davi contra os amalequitas no capítulo anterior.
O enredo desenvolve-se no cenário desolador do monte Gilboa, onde as forças filisteias encurralam o exército de Israel. Os três filhos de Saul — Jônatas, Abinadabe e Malquisua — são mortos no combate, e o próprio monarca é gravemente ferido pelos flecheiros inimigos. Receoso de ser capturado, torturado e ultrajado pelos incircuncisos, Saul solicita ao seu escudeiro que o atravesse com a espada; diante da recusa deste por temor reverente à investidura real, o monarca lança-se sobre a sua própria espada, consumando o seu fim. A derrota desencadeia a debandada das populações hebreias das cidades do vale e da região do Jordão, que abandonam as suas terras para a ocupação filisteia, enquanto o corpo de Saul é decapitado no dia seguinte, sua armadura depositada no templo de Astarote e seu cadáver pendurado, juntamente com os de seus filhos, nos muros da cidade de Bete-Sã.
O desfecho do capítulo e de todo o livro destaca a lealdade e a gratidão dos habitantes de Jabes-Gileade, que, recordando a libertação heroica promovida por Saul no início de seu reinado, realizam uma marcha noturna de vinte e um quilômetros até Bete-Sã para retirar os corpos do muro. Levando-os para Jabes, os valentes queimam os restos mortais, sepultam os seus ossos sob a tamargueira local e guardam um jejum de sete dias em sinal de luto nacional. Sob o prisma do desígnio cristão, a queda da casa de Saul encerra o tempo de um governo caracterizado pela desobediência e pela autossuficiência humana, pavimentando definitivamente o caminho para a aclamação de Davi e a consolidação da linhagem régia segundo o coração do Altíssimo na história da salvação.
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