Um pedido de livramento e perdão. Um salmo de Davi.
¹A Ti, ó Senhor, elevo a minha alma.
²Ó meu Deus, em Ti confio;
Não permitas que eu seja envergonhado,
Nem que os meus inimigos triunfem sobre mim.
³Na verdade, nenhum dos que esperam em Ti será envergonhado;
Envergonhados serão os que transgridem sem causa.
⁴Mostra-me os Teus caminhos, ó Senhor;
Ensina-me as Tuas veredas.
⁵Guia-me na Tua verdade e ensina-me,
Pois Tu és o Deus da minha salvação;
Em Ti espero o dia inteiro.
⁶Lembra-Te, ó Senhor, das Tuas ternas misericórdias e das Tuas benignidades,
Pois são desde a eternidade.
⁷Não Te lembres dos pecados da minha juventude, nem das minhas transgressões;
Segundo a Tua misericórdia, lembra-Te de mim,
Por causa da Tua bondade, ó Senhor.
⁸Bom e reto é o Senhor;
Por isso ensinará o caminho aos pecadores.
⁹Guiará os mansos no juízo
E ensinará aos mansos o Seu caminho.
¹⁰Todos os caminhos do Senhor são misericórdia e verdade
Para aqueles que guardam o Seu pacto e os Seus testemunhos.
¹¹Por amor do Teu nome, ó Senhor,
Perdoa a minha iniquidade, pois é grande.
¹²Qual é o homem que teme ao Senhor?
Ele o ensinará no caminho que deve escolher.
¹³A sua alma habitará em tranquilidade,
E a sua descendência herdará a terra.
¹⁴O segredo do Senhor está com os que O temem,
E Ele lhes mostrará o Seu pacto.
¹⁵Os meus olhos estão continuamente voltados para o Senhor,
Pois Ele tirará os meus pés da rede.
¹⁶Volta-Te para mim e tem misericórdia de mim,
Pois estou solitário e aflito.
¹⁷As angústias do meu coração se multiplicam;
Tira-me das minhas aflições.
¹⁸Olha para a minha aflição e para a minha dor,
E perdoa todos os meus pecados.
¹⁹Considera os meus inimigos,
Pois são muitos e me odeiam com ódio cruel.
²⁰Guarda a minha alma e livra-me;
Não permitas que eu seja envergonhado,
Pois em Ti confio.
²¹Que a integridade e a retidão me preservem,
Pois espero em Ti.
²²Redime Israel, ó Deus,
De todas as suas aflições.
O vigésimo quinto Salmo do Livro dos Salmos (designado Salmo vinte e quatro na Septuaginta e na Vulgata Latina) é uma elegia e oração atribuída ao rei Davi, estruturada sob a forma de um poema acróstico alfabético hebraico em vinte e dois versículos. Preservado no Texto Masorético e na tradição dos Setenta, o poema ocupa uma posição estratégica na arquitetura do Saltério, inaugurando formalmente o tema da instrução e do ensino divino que se estende até ao Salmo trinta e quatro, com o qual compartilha notáveis afinidades estruturais, como a omissão da estrofe correspondente à letra Vav e o arremate com a letra Pe. Sob a perspectiva da engenharia literária veterotestamentária, esta perícope atua como um instrumento pedagógico e pneumático de transição, articulando a dependência individual do salmista com a esperança comunitária da aliança.
O desenvolvimento poético e teológico do salmo organiza-se em uma tríplice progressão espiritual. Inicialmente, o salmista eleva a sua alma ao Senhor ("Ad te Domine levavi animam meam"), implorando por orientação nas veredas da verdade e pelo esquecimento dos pecados de sua juventude em nome da misericórdia divina. Na seção central, o texto exalta a retidão do Altíssimo, que ensina o caminho aos humildes e revela o Seu segredo (sod) àqueles que O temem e guardam a Sua aliança. Por fim, diante do recrudescimento da aflição, da solidão e do ódio de seus adversários, o salmista apela para que a integridade e a retidão o guardem, suplicando que Deus resgate o Seu povo de todas as suas tribulações.
A recepção litúrgica e teológica do Salmo vinte e cinco estende-se do judaísmo — onde integra as preces penitenciais do Tachanun — à tradição cristã Ocidental e Oriental, sendo historicamente consagrado como o Introito do Primeiro Domingo do Advento, que assinala a expectativa da vinda do Messias. A profundidade de sua mensagem inspirou expressivas composições da hinologia e da música sacra erudita, como a cantata Nach dir, Herr, verlanget mich (BWV 150) de Johann Sebastian Bach e os Cantos Bíblicos de Antonín Dvořák. Sob o prisma do desígnio cristão, o salmo sintetiza a postura do penitente que, despido de qualquer justiça própria, abandona-se à soberana graça do Redentor para ser guiado e perdoado no caminho da salvação.
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