Louvor a Deus por Sua justiça.
¹Louvarei a Ti, ó Senhor, de todo o meu coração;
Anunciarei todas as Tuas obras maravilhosas.
²Alegrarei-me e exultarei em Ti;
Cantarei louvores ao Teu nome, ó Altíssimo.
³Quando os meus inimigos retrocederem,
Cairão e perecerão diante da Tua presença.
⁴Pois sustentaste o meu direito e a minha causa;
Tu Te assentaste no trono, julgando com justiça.
⁵Repreendeste as nações,
Destruíste o ímpio
E apagaste o nome deles para todo o sempre.
⁶Ó inimigo, as destruições chegaram ao fim perpétuo;
E Tu destruíste as cidades;
A memória delas pereceu com elas.
⁷Mas o Senhor permanecerá para sempre;
Preparou o Seu trono para o julgamento.
⁸E julgará o mundo com justiça;
Administrará julgamento aos povos com retidão.
⁹O Senhor também será um refúgio para o oprimido,
Um refúgio nos tempos de angústia.
¹⁰E os que conhecem o Teu nome
Depositarão a sua confiança em Ti;
Pois Tu, SENHOR, não abandonaste os que Te buscam.
¹¹Cantem louvores ao Senhor, Que habita em Sião;
Anunciem entre os povos Os Seus feitos.
¹²Pois, quando requer o sangue, Ele Se lembra deles;
Não Se esquece do clamor dos humildes.
¹³Tem misericórdia de mim, ó Senhor;
Considera a minha aflição,
Que sofro por causa dos que me odeiam,
Tu que me levantas das portas da morte,
¹⁴Para que eu anuncie todos os Teus louvores
Nas portas da filha de Sião
E me alegre na Tua salvação.
¹⁵As nações afundaram-se na cova que fizeram;
Na rede que esconderam, O seu próprio pé ficou preso.
¹⁶O SENHOR é conhecido pelo julgamento que executa;
O ímpio fica preso na obra das suas próprias mãos.
Higaiom. Selá.
¹⁷Os ímpios serão lançados na sepultura,
E todas as nações que se esquecem de Deus.
¹⁸Pois o necessitado não será esquecido para sempre,
Nem a esperança dos pobres perecerá eternamente.
¹⁹Levanta-Te, ó Senhor;
Não prevaleça o homem;
Sejam julgadas as nações diante da Tua presença.
²⁰Põe medo neles, ó Senhor,
Para que as nações saibam
Que são apenas homens.
Selá.
O nonagésimo Salmo do Livro dos Salmos (designado Confitebor tibi, Domine na Vulgata Latina) constitui a primeira metade de uma magistral composição acróstica alfabética hebraica que se une originalmente ao Salmo dez. Atribuído ao rei Davi no sobrescrito sob a misteriosa indicação musical Muth-labben ("Morte para o Filho", tradicionalmente associada à celebração da vitória sobre Golias ou sobre os poderes da impiedade), o poema é composto por vinte versículos no Texto Masorético. Na Septuaginta grega e na Vulgata, os Salmos nove e dez são preservados como uma única unidade poética. Sob a perspectiva da engenharia literária e teológica veterotestamentária, esta perícope celebra o triunfo e a soberania do Altíssimo como Juiz dos povos, assegurando que o domínio do mal é efêmero e que os pobres e oprimidos não serão esquecidos para sempre.
O desenvolvimento poético e espiritual organiza-se em uma triunfal alternância entre a ação de graças e o julgamento escatológico. Na primeira seção (versículos um a seis), o salmista louva ao Senhor de todo o coração pelas Suas maravilhas, celebrando a ruína dos inimigos perante o trono da justiça divina e o apagamento do nome dos ímpios. Na seção central (versículos sete a doze), o texto exalta a eternidade do trono de Deus, Aquele que julga o mundo com equidade, constituindo-se em refúgio (misgav) para o oprimido em tempos de angústia e demonstrando que os que conhecem o Seu Nome não serão abandonados. Por fim (versículos treze a vinte), o salmista clama por misericórdia ao ser retirado das portas da morte para jubilar nas portas de Sião, selando a perícope com a petição de que as nações sejam postas em temor e reconheçam a sua frágil condição humana (enosh).
A recepção litúrgica e musical do Salmo nove possui expressiva continuidade nas tradições judaica e cristã. No judaísmo, o versículo quatro integra a repetição da Amidah no Rosh Hashaná, o versículo onze figura na oração Uva Letzion, e o versículo treze é recitado na prece memorial Av Harachamim. Na tradição monástica católica romana, a Regra de São Bento (530 d.C.) dividiu a unidade dos Salmos nove e dez entre os ofícios de Prime das terças e quartas-feiras, figurando atualmente na Liturgia das Horas no ofício das Leituras de segunda-feira da primeira semana. Na hinologia e na música sacra, o poema inspirou o hino métrico Mit fröhlichem Gemüte (SWV 105) de Heinrich Schütz, o popular hino francês e alemão Ich lobe meinen Gott von ganzem Herzen, e o grand motet composto em 1767 por François Giroust. Sob o prisma do desígnio salvífico, o Salmo nove atesta a inabalável fidelidade divina em defender os humilhados e subjugar o mal sob o império da justiça de Cristo.
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